quinta-feira, 7 de maio de 2020

Bolha sweet bolha


Quantas vezes você saiu de casa para trabalhar e pensou “que privilégio o meu, diante daquele grupo de pessoas que, apenas por uma característica física, foi marginalizada por um sistema econômico, para que este trouxesse riqueza para outro grupo que se achava melhor por ter uma outra característica física”?

Quantas vezes você realmente se importou com o outro?

Quanta vezes você lembra dx negrx marginalizado até que você encontre um lhe pedindo dinheiro ou quando aparece na TV vítima de mais um genocídio? Ou quando aparece na Forbes após atingir as expectativas capitalistas?

Quantas vezes você lembra da prostituta que não queria estar lá até ver uma?

Quantas vezes você sentiu a lâmpada te atingir como atingiu o/a homossexual?

Quanta vezes você foi empático e sentiu a dor do outro que não é do seu grupo?

Pois é, é mais fácil sentir quando é do teu grupo ou quando acontece perto.

Vivemos em bolhas tão distantes uma das outras que é quase impossível pensar no outro. Por isso que somo apáticos em relação as coisas erradas ao nosso redor? Por isso que só nos mexemos quando ‘a água bate na bunda’?


quarta-feira, 6 de maio de 2020

"Feelings are intense. Words are trivial."


Eu não sei mais como me dar voz.

Não quero magoar as pessoas, não quero discutir a ponto de saírem a dando as costas. Não quero contrapor um momento de discussão a vários momentos de afeto.

Palavras machucam os mais frágeis, e parece que muita gente está assim, palavras transformam e muitas pessoas não querem isso.

Por isso me calo, por conforto, não sei se meu ou dos outros, ambos. Talvez eu me desqualifique, escondendo meus conhecimentos, talvez eu deixe de falar o algo que precisa ser ouvido, talvez eu deixe de falar o quão signifique para mim, mas a certeza é que eu não irei te magoar o que foi dito.

Sei que não é a solução, mas é o que sei fazer, calar e afastar.



quarta-feira, 1 de abril de 2020

Deixe me ir!

Não se apegue a mim. Não espere que sempre estarei de olhos abertos.
A vida é um sopro e eu posso ir voar com ela. Não se apegue a mim.

A cultura ocidental de colocar cristalizar a vida é coloca-la num pedestal é exaustiva. Faz as pessoas se sobrecarregarem com coisas que não lhes cabem e deixam o importante passar.

Não se apague a mim. Estou me descobrindo e descobrindo a vida.
Hoje estou aqui, amanhã não sei para onde serei levada.

Guardem as melhores lembranças de mim. Aprendam com os meus erros. Meu sorriso estará sempre aqui, minhas lágrimas secaram.

Certo é que sou grata por ter a oportunidade de viver e de ver a vida alheia. Grata por amar, chorar, sorrir e blablabla. Por mais que nem sempre tenha sentido isso, aprendi a descarregar o peso nos ombros. Acho até que aprendi a amar.

Às vezes o coração aperta, o sangue ferve, a cabeça perde o rumo, mas isso faz parte do viver. O que não faz parte é viver para sempre.

Não se apegue a mim. Certo é que temos um destino único. Guardem meu melhor sorriso e tenha sempre vários alguens para compartilhar as coisas.

Não se apegue a mim!

quinta-feira, 5 de março de 2020

Segundo dia da terapia


Mais um dia das mulheres se aproxima e com ele um mix de orgulho, raiva e cansaço. É o momento que mais me recordo das violências que sofri, e escrever o termo “violência” incomoda, é um sinal de fraqueza para mim.

De primeiro momento eu não entendia a gravidade, ninguém que eu conversava entendia. Davam risada, eu me sentia culpada, o comportamento deles era considerado normal e era estranho eu não entender isso. Mas eu me sentia incomodada, não conseguia deixar passar e ficava na minha cabeça. Ainda quando lembro me vem o sentimento daqueles momentos e respiro fundo, ninguém merece sentir aquilo. A mulher só sabe apanhar, não sabe que está apanhando e muito menos sabe revidar. Quando você entende tudo isso é um banho de água fria, mil coisas repassam na cabeça e tem que saber lidar.

Hoje sou madrinha de uma futura mulher, como a sociedade irá trata-la? Amanhã vou a uma festa universitária, com o que terei que me preocupar? Todos os dias utilizo o transporte público, como me defender? Não existe um segundo de sossego na minha cabeça, o tempo todo em alerta e me mantendo em pé para qualquer briga que eu precise comprar. Agora sei como ser mulher funciona, é um porre, é viver com outros achando que você foi feita para eles.

Conhecer-me como uma levou anos, 22 exatamente. Haja psicológico para conviver em uma briga diária com outras pessoas querendo determinar o que você deve sentir, como deve se vestir, como deve se comportar, em quais momentos deve falar, o que você pode ou não fazer e aceitar o que os outros vão fazer com você. Às vezes me sinto um animal de laboratório, como se eu não tivesse vontade própria e vivesse para servir a outros.

Não seja muito inteligente, conviva em um ambiente onde só tenham homens e se comporte, use determinadas roupas para que os agradem e aceite que eles vão te ver como objeto sexual e de reprodução.

Apesar de perder o sorriso e o brilho que tive enquanto ignorante de consciência de classe, nunca me senti tão orgulhosa e mulher. O constante conflito interno de lutar, de me guardar, de me exibir e de me aproveitar. Nem sempre estou em um ringue, às vezes estou segura trancada em meu quarto, podendo baixar a guarda e podendo ser mulher.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Get up, stand up!


O orgulho do branco é invejável, queria eu ter voz e alguém para ouvi-la. Quando você aponta um erro ou defeito em alguém branco, prontamente eles se defendem, achando que o que foi falado os tornam monstros e não podem ser assim, ficar em posição de "vilão". 

Nem se quer pensam 5 minutos para considerar a crítica. Logo eles que têm enraizado preconceitos e privilégios.

O mundo não gira em torno do branco que foi descoberto em suas falhas, parem de achar que é tudo pessoal e ouçam, sem choro e sim com mudança de atitudes.

Preto está acostumado a andar de cabeça baixa e ficar quieto, mesmo quando a gente tem a maior bagagem do mundo para apresentar. Que sejamos mais orgulhosos e levantemos a voz, que nos demos voz!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

3º vício: cafeína


A gente abre o notebook e começa a trabalhar. No meu caso, vários sites informativos, jornalísticos e acadêmicos são abertos para mais um dia de leitura, interpretação e escrita.

Preciso colocar minha capacidade analítica em prova, tentando correlacionar diversos assuntos em uma conclusão. Tenho que entregar uma analise para alguém tomar uma decisão. Vou explicar o que esta acontecendo e como isso afeta X coisas.

A frase “questões complexas exigem respostas complexas” é a mais pura verdade. Em apenas alguns minutos de leitura o que mais vejo são respostas simples à essas questões complexas. O que me deixa confusa, já que no dia- a dia vejo coisas simples serem dificultadas.

Uma hora depois paro para um café, não estou com sono, apenas manter  vício de precisar de algo para me manter atenta. E também para respirar fundo e dizer para mim mesma que não está em minhas mãos mudar tudo de errado que acontece. Outra frase mais que correta é “o conhecimento é uma benção e também uma maldição”.

Nos dias de hoje, está mais para maldição. Insuportável saber que está tudo uma bagunça e que não há o que fazer, não depende de um ser humano. O estomago embrulha diante de tanto egoísmo, falta de empatia, materialismo e ignorância. Deve ser a gastrite também.